Um ataque ao Hospital de Ensino Al Daein, no Darfur Oriental, matou pelo menos 64 pessoas e feriu 89 na sexta-feira, confirmou a OMS. As forças paramilitares RSF e o exército sudanês se culpam mutuamente. O total de mortos em ataques a instalações de saúde na guerra do Sudão já ultrapassou 2.000 — a maioria em 2025.
O Hospital de Ensino Al Daein é a maior instalação médica do Darfur Oriental, uma região de cerca de 600.000 habitantes que está em disputa entre o exército sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) desde que os combates eclodiram pelo país em abril de 2023. Na sexta-feira, 21 de março, o hospital foi atacado. Pelo menos 64 pessoas foram mortas, incluindo ao menos 13 crianças, um médico e dois enfermeiros que estavam de plantão. Os departamentos de pediatria, maternidade e emergência foram destruídos. Na segunda-feira, o hospital estava sem funcionamento.
A Organização Mundial da Saúde confirmou o balanço no sábado. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, publicou no X: "Como resultado desta tragédia, o número total de mortos ligados a ataques a instalações de saúde durante a guerra do Sudão já ultrapassou 2.000." Ele acrescentou um número que merece ser lido duas vezes: das 2.036 pessoas mortas em 213 ataques confirmados a instalações de saúde desde o início da guerra, 1.620 morreram apenas em 2025. Isso representa 82% de todas as mortes em instalações de saúde durante a guerra concentradas em um único ano civil.
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As RSF culparam o exército sudanês pelo ataque. O exército negou. O grupo sudanês de direitos humanos Emergency Lawyers informou que foi um ataque de drone militar. Dois oficiais militares sudaneses disseram à Associated Press que o alvo do ataque era uma delegacia de polícia na área e que o hospital foi atingido por engano — uma versão que, se verdadeira, ainda constituiria uma grave violação do direito internacional humanitário, que exige das partes em conflito a verificação de alvos civis antes de atacar. O exército sudanês não reconheceu oficialmente o ataque.
“As RSF culparam o exército sudanês pelo ataque.”
O contexto mais amplo torna a atribuição de responsabilidade importante, mas de certa forma secundária diante da escala do que está acontecendo com o sistema de saúde do Sudão. Antes da guerra, o Sudão tinha cerca de 12.000 médicos para uma população de 48 milhões — uma das menores proporções da África. A OMS verificou que pelo menos 80% das instalações de saúde em áreas afetadas pelo conflito estão destruídas, saqueadas ou fechadas devido ao deslocamento de profissionais. No Darfur Oriental, o hospital Al Daein era a principal instalação de referência para traumas, emergências obstétricas e cuidados intensivos pediátricos em um território de tamanho aproximado ao do estado americano da Virgínia Ocidental. Sua destruição significa que, no futuro previsível, pacientes que necessitam desses serviços não têm para onde ir.
Pontos Principais
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A guerra em si já matou mais de 40.000 pessoas segundo estimativas da ONU, embora o número real seja provavelmente maior — as áreas mais remotas de Darfur e Kordofan não têm contagem sistemática de mortos. Entre 8 e 10 milhões de pessoas foram deslocadas, tornando esta a maior crise de deslocamento interno do mundo. Condições de fome foram confirmadas em cinco áreas do Sudão pela Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar, um organismo global de monitoramento apoiado pela ONU. As colheitas de 2024 e 2025 foram gravemente prejudicadas pelos combates.
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O que chama atenção na guerra do Sudão — num ciclo noticioso dominado pelo Irã, pela Ucrânia e por um dramático acidente em LaGuardia — é a sistematicidade com que ela tem sido subnoticiada em relação à sua escala humanitária. O conflito com o Irã, com suas implicações no mercado de petróleo e suas dimensões nucleares, atrai atenção global urgente. A guerra no Sudão, que matou mais pessoas e deslocou mais famílias do que qualquer outro conflito atual no planeta, frequentemente aparece como um parágrafo no final dos resumos internacionais.
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Parte da razão é o acesso. Jornalistas internacionais enfrentam obstáculos significativos para atuar tanto em áreas controladas pelas RSF quanto pelo exército sudanês. A ausência de imagens — do tipo que torna uma guerra emocionalmente compreensível para o público internacional — significa que mesmo eventos como o ataque ao hospital Al Daein, que em qualquer outro contexto dominariam as primeiras páginas, chegam apenas como uma confirmação de segunda mão da OMS.
Ghebreyesus encerrou sua declaração de sábado com uma frase que provavelmente não será lembrada da mesma forma que os alertas de petróleo da AIE: "Sangue suficiente foi derramado. Sofrimento suficiente foi imposto. Chegou a hora de reduzir a escalada do conflito no Sudão." O problema é que tanto as RSF quanto o exército sudanês acreditam que ainda podem vencer.
Quem atacou o Hospital de Ensino Al Daein no Sudão?
As RSF culparam o exército sudanês, que negou responsabilidade. O grupo sudanês de direitos humanos Emergency Lawyers informou que foi um ataque de drone militar. Dois oficiais militares disseram à AP que o alvo era uma delegacia de polícia próxima e que o hospital foi atingido por engano. Nenhuma das partes aceitou oficialmente a responsabilidade.
Quantas pessoas morreram na guerra civil do Sudão?
A ONU estima que mais de 40.000 pessoas foram mortas desde o início dos combates em abril de 2023, embora o número real seja provavelmente maior devido à limitada cobertura de áreas remotas de conflito. Entre 8 e 10 milhões de pessoas foram deslocadas internamente — a maior crise de deslocamento interno do mundo.
Qual é o estado do sistema de saúde do Sudão durante a guerra?
A OMS verificou que pelo menos 80% das instalações de saúde em áreas afetadas pelo conflito estão destruídas, saqueadas ou fechadas. Desde o início da guerra, 2.036 pessoas morreram em 213 ataques confirmados a instalações de saúde, sendo 1.620 dessas mortes apenas em 2025.