Quando o IRGC iraniano fechou o Estreito de Ormuz e empurrou o Brent acima de US$ 110 por barril, o beneficiário geopolítico menos comentado não foi um produtor do Golfo nem uma empresa de energia americana. Foi a Rússia. O orçamento federal russo de 2026 foi elaborado com base em um preço assumido do blend Urals de aproximadamente US$ 59 por barril — a linha de base conservadora que o Ministério das Finanças utiliza após anos de incerteza com as sanções ocidentais. Com o Urals agora negociado acima de US$ 70 por barril, e o spread em relação ao Brent que determina o preço do petróleo russo ainda mais elevado pela perturbação em Ormuz, a Rússia está gerando receita de guerra que supera suas premissas orçamentárias em uma estimativa de US$ 8 a 12 bilhões anualizados. É dinheiro que não estava previsto e que pode ser direcionado quase imediatamente para os gastos militares.
O cálculo evidencia uma realidade estrutural dos Estados autoritários dependentes de petróleo: crises geopolíticas que elevam os preços de energia tendem a beneficiá-los, independentemente de estarem diretamente envolvidos. A Rússia não é parte do conflito EUA-Irã. Mas a receita colateral desse conflito está fluindo diretamente para o tesouro russo exatamente no momento em que as sanções ocidentais, os altos gastos militares e uma guerra de atrito prolongada deveriam estar restringindo a capacidade do Kremlin.