Uma estimativa de 8 milhões de pessoas marcharam em todos os 50 estados dos EUA e em mais de uma dezena de países no sábado, 28 de março de 2026, em manifestações coordenadas organizadas sob o lema "No Kings" — a maior mobilização de um único dia na história americana segundo estimativas dos organizadores, superando a Marcha das Mulheres de 2017 e os protestos por George Floyd em 2020 em seus picos.
Os protestos tinham como alvo três reivindicações sobrepostas: a campanha militar em curso dos EUA e Israel no Irã, as operações de fiscalização de imigração do governo e o que os organizadores descreveram como uma consolidação sem precedentes de autoridade executiva sob o presidente Donald Trump. Multidões lotaram os centros das cidades, da Quinta Avenida de Nova York à Pershing Square de Los Angeles. Manifestações também ocorreram em Londres, Berlim, Toronto, Sydney e pelo menos outras 10 cidades internacionais, de acordo com a Democracy Now, que acompanhou os eventos em tempo real.
A guerra no Irã foi o tema dominante nas marchas nas grandes cidades. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando as forças dos EUA e de Israel lançaram ataques contra infraestrutura militar e nuclear iraniana, uma campanha que a Casa Branca disse ter sido projetada para eliminar o programa de armas do Irã. Ela entrou no seu 30º dia, com o Estreito de Ormuz ainda fechado para navios comerciais e o petróleo Brent negociado acima de US$ 100 por barril. Os organizadores dos protestos citaram o custo econômico — preços elevados da gasolina, aumento dos custos de alimentos devido a interrupções na cadeia de abastecimento — como o que conectou a queixa de política externa à realidade financeira cotidiana das famílias americanas.