O diretor executivo da Agência Internacional de Energia não costuma recorrer a superlativos históricos. Fatih Birol passou duas décadas medindo perturbações energéticas com precisão clínica. Portanto, quando afirmou na segunda-feira que a atual crise no Oriente Médio é "muito grave" e pior do que os dois choques do petróleo dos anos 1970 combinados — incluindo o embargo da OPEP de 1973 e a revolução iraniana de 1979 — isso soou como algo além da linguagem cautelar habitual da AIE. Ele não disse que a situação estava se encaminhando para aquelas crises. Ele disse que já era pior.
Os dados sustentam a comparação. O embargo de 1973 reduziu a oferta global de petróleo em cerca de 7% por um período de aproximadamente seis meses. A revolução iraniana de 1979 retirou aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia dos mercados globais por um período prolongado, desencadeando estagflação nas economias ocidentais. O quase fechamento do Estreito de Ormuz reduziu a oferta global efetiva em uma estimativa de 12 a 14 milhões de barris por dia — cerca de 12% do consumo — em pouco menos de quatro semanas. A velocidade da perturbação é sem precedentes.
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