O sistema elétrico nacional de Cuba ficou sem energia no sábado pela terceira vez em março — desencadeado por uma falha em cascata na usina termoelétrica de Nuevitas. Nenhum carregamento de petróleo chegou em três meses, o cordão umbilical da Venezuela foi cortado, e as sanções dos EUA bloquearam a maioria das alternativas. Os protestos se espalham.
A rede elétrica nacional de Cuba entrou em colapso pela terceira vez em março na noite de sábado, mergulhando a ilha de 9,6 milhões de habitantes na escuridão pelo terceiro apagão total em âmbito nacional do mês. A União Elétrica Cubana informou que a falha em cascata teve origem na usina termoelétrica de Nuevitas, na província de Camagüey, onde o desligamento inesperado de uma unidade desencadeou o que os engenheiros chamam de efeito cascata: à medida que a capacidade de geração cai subitamente, as unidades restantes em operação precisam compensar, e se não conseguirem, também são desligadas, uma após a outra, até não restar nada em funcionamento.
Na manhã de domingo, o serviço parcial havia sido restaurado para cerca de 72.000 clientes em Havana, com prioridade para hospitais, estações de tratamento de água e serviços de emergência. Isso representa aproximadamente 3,5% dos cerca de 2 milhões de moradores da capital. No interior da ilha, a recuperação foi mais lenta. Em províncias como Holguín, Santiago de Cuba e partes de Matanzas, alguns bairros ficaram sem energia por mais de 30 dos 35 dias anteriores.
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A causa estrutural não é a usina de Nuevitas. É o combustível. O presidente Miguel Díaz-Canel declarou publicamente na semana passada que Cuba não havia recebido petróleo de nenhum fornecedor estrangeiro em três meses. A ilha produz apenas 40% do combustível necessário para movimentar sua economia. O restante historicamente vinha de duas fontes: da Venezuela, cujos carregamentos de petróleo subsidiado foram o cordão umbilical de Cuba por duas décadas, e de compras no mercado spot de diversos fornecedores dispostos a navegar pelas sanções secundárias dos EUA.
“A causa estrutural não é a usina de Nuevitas.”
Ambos esses canais estão agora fechados. Os carregamentos de petróleo da Venezuela encerraram em janeiro após as forças americanas prenderem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o governo Trump assumir o controle dos fluxos de petróleo venezuelano. Esse único evento removeu da noite para o dia cerca de 50.000 a 60.000 barris por dia das importações cubanas. A crise do petróleo iraniano desde então elevou os preços do mercado spot a níveis que tornam economicamente pouco atraentes até os fornecedores dispostos, dado o risco das sanções. O presidente Trump advertiu em janeiro que qualquer país que vendesse ou fornecesse petróleo a Cuba enfrentaria tarifas americanas — uma ameaça que funcionou como um boicote secundário informal.
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Cuba produz petróleo internamente, em grande parte de campos offshore e depósitos onshore nas províncias ocidentais, mas sua infraestrutura de produção é envelhecida e insuficientemente mantida. O país gera apenas cerca de 14.000 barris por dia internamente — suficiente para abastecer uma cidade, não um país. O abismo entre produção e necessidade é estrutural.
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As consequências sociais foram além do inconveniente e chegaram à crise. Os cubanos em Havana vivem com apagões diários de até 15 horas. Nas áreas rurais, o número é ainda pior. A deterioração de alimentos por falta de refrigeração tornou-se um problema significativo em um país onde o sistema de distribuição de alimentos já opera no limite. Trabalhadores estão perdendo salários à medida que empresas e fábricas fecham por falta de energia. Escolas reduziram o horário ou fecharam completamente. Pacientes em diálise estão sendo triados.
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Protestos foram registrados em diversas províncias na última semana — pequenos pelos padrões das manifestações de julho de 2021 que abalaram o governo cubano, mas notáveis em um país onde a dissidência pública acarreta sérios riscos legais. A resposta do governo tem alternado entre culpar o bloqueio americano e prometer soluções técnicas que não se materializaram. Trump, por sua vez, sugeriu acreditar que o governo cubano está "à beira do colapso" e disse a repórteres que em breve teria "a honra de tomar Cuba" — um comentário cujo significado preciso foi deixado para interpretação.
O que é contraintuitivo na situação de Cuba é que a ilha está relativamente próxima de alguns dos maiores produtores de petróleo do Hemisfério Ocidental — Estados Unidos, México, Colômbia e Trinidad — dos quais Cuba não pode comprar em escala nas condições atuais. A geografia da crise energética é um artefato da diplomacia, não da física. Um governo disposto a fazer concessões sobre presos políticos e governança — as condições declaradas por Trump — poderia potencialmente desbloquear rotas de fornecimento com relativa rapidez. Se o governo cubano é capaz de fazer essas concessões, ou se sobreviveria ao fazê-las internamente, é a questão que nem Washington nem Havana respondeu.
Um quarto apagão este mês não é certo. Mas as condições subjacentes — nenhuma entrada de petróleo, geradores envelhecidos e uma rede que já falhou três vezes — tornam isso mais provável do que não.
Cuba não recebeu carregamentos de petróleo de nenhum fornecedor estrangeiro em três meses. A ilha produz apenas cerca de 40% do combustível de que necessita internamente. O petróleo subsidiado da Venezuela — um cordão umbilical de 20 anos — encerrou em janeiro quando os EUA prenderam o presidente venezuelano Maduro. As sanções americanas bloqueiam a maioria dos outros fornecedores. Sem combustível, as envelhecidas usinas termelétricas falham, e colapsos em cascata se seguem.
Quais são as condições de Trump para suspender as sanções a Cuba?
Trump afirmou que Cuba deve libertar presos políticos e avançar em direção à liberalização política e econômica em troca da suspensão das sanções. O governo também exigiu concessões na governança como pré-requisito para a retomada do comércio energético. O governo cubano rejeitou essas condições como interferência na soberania.
Quantas horas duram os apagões em Cuba por dia?
Em Havana, os apagões diários chegam a 15 horas. Nas províncias rurais e no interior da ilha, as interrupções são ainda piores. O terceiro colapso nacional da rede no mês ocorreu em 21 de março, com apenas restauração parcial alcançada até domingo. Algumas áreas ficaram sem energia por mais de 30 dos últimos 35 dias.